Tecnologia e empatia

Alunos desenvolvem projetos de Social Innovation nos Estados Unidos

            Na semana do recesso, em outubro, 26 estudantes do Colégio Santa Cruz foram aos Estados Unidosrealizar um projeto de Social Innovation. Oferecida a alunos do final do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio, a viagem, que acontece desde 2016, tem por objetivo estimular a pesquisa e a criatividade dos adolescentes na busca por soluções para problemas reais de uma comunidade em situação de vulnerabilidade.

            Neste ano, as cinco situações-problema (design challenges) foram referentes a necessidades da aldeia indígena Guarani, localizada no Jaraguá. A aldeia tem cerca de 3 mil habitantes e enfrenta diversas dificuldades no seu dia a dia. Uma delas é a fabricação de tijolos a partir dos recursos limitados a que têm acesso. Outro exemplo é o isolamento térmico ruim das casas, o que as torna pouco confortáveis no calor e no frio. A definição dos desafios foi realizada a partir de conversas com lideranças locais.

Cada situação-problema foi enfrentada por um grupo de alunos. Para encontrar soluções, eles tiveram aulas e realizaram atividades no Massachusetts Institute of Technology (MIT), no D-Lab, e no Olin College, acompanhados pelos professores Ricardo Martins, Carolina Gil, Alexandre Nunes e Roberta Neumann.

Os alunos seguiram os princípios do design thinking, que envolvem a empatia, o trabalho coletivo e a experimentação. “O trabalho em equipe é um ponto importantíssimo da viagem, assim como o desenvolvimento da autonomia de aprendizagem”, afirma Ricardo. “No final, eles contam que a viagem deixa aprendizados para a vida toda”, completa.

Os alunos testam suas ideias com protótipos. “O primeiro é o que chamamos de ‘protótipo sujo’, que eles constroem com papelão, cola e outros recursos básicos. Depois fazem nova versão, considerando os materiais disponíveis na aldeia”, explica Ricardo. Ele enfatiza que os projetos devem levar em conta a viabilidade técnica e financeira e, também, o desejo da comunidade.

Para o problema da fabricação de tijolos, por exemplo, o grupo construiu uma pequena estufa. A fim de garantir seu funcionamento, realizaram vários testes e medições. “No terceiro dia, terminamos de montar nossos primeiros protótipos e nos planejamos para fazer compras na Home Depot para produzir o protótipo final. Depois, fizemos um orçamento que não poderia passar de cem dólares. No quarto dia, fomos ao MIT D-Lab e começamos a construir os nossos protótipos finais. O meu grupo fez a estufa, em escala 1:4”, conta o aluno Sebastien Lee, do 9º ano.

No final, todos os projetos foram apresentados para uma banca de professores do MIT, que questionaram os alunos sobre aspectos do trabalho.

Carol destaca que a viagem evidencia o impacto da inovação social na atualidade. “Também merecem destaque as vivências no multiculturalismo e a parceria na troca de conhecimentos”, declara. Ela ainda menciona que, nessa experiência, fica evidente o reconhecimento da qualidade de ensino do Santa Cruz.

Na viagem, além da pesquisa, os alunos realizaram visitas culturais, assistiram a um jogo de basquete e conheceram a Universidade de Havard, onde conversaram com um estudante brasileiro. Para que as famílias acompanhassem as atividades dos seus filhos, Carol elaborou boletins informativos diários.

Por fim, cabe ressaltar que o projeto não se encerra com a volta à escola. Em novembro, os grupos apresentaram seus projetos para pessoas da aldeia para que elas avaliassem a possibilidade de colocarem as ideias em prática

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