A vida em comunidade

Trilha formativa do Santa Cruz leva alunos do Ensino Médio a Parelheiros

Em abril, um grupo de estudantes da 1ª série do Ensino Médio realizou uma saída de campo para a região de Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo. O território, marcado pela convivência entre espaços rurais e urbanos, desafia fronteiras tradicionais e convida a uma leitura do que significa viver em comunidade. Para o grupo, o deslocamento até a região já foi parte do aprendizado, ampliando a percepção sobre distâncias, desigualdades e formas de organização social.

Essa atividade fez parte da Trilha Alfa, um itinerário formativo que é desenvolvido no primeiro semestre. No Santa Cruz, os estudantes podem optar pela Trilha Alfa, voltada a Humanas e Linguagens, ou pela Trilha Beta, dedicada às Ciências da Natureza e à Matemática.

A Trilha Alfa foi realizada em diferentes fases. Teve início com uma palestra conduzida por Bel Santos Mayer, coordenadora do IBEAC e idealizadora da criação de bibliotecas comunitárias em Parelheiros. Em seguida, em atividades preparatórias, os estudantes leram obras literárias e discutiram conceitos fundamentais relacionados à vida em comunidade e ao contexto de Parelheiros. A saída de campo foi, então, o passo seguinte, que permitiu que os alunos articulassem teoria e prática, observando e escutando a dinâmica local.

“O projeto nasceu do desejo de expandirmos o repertório dos alunos acerca dos movimentos sociais e das iniciativas de base comunitária que acontecem na nossa cidade”, conta Arthur Pan Chacon, professor de História da série. “Na primeira etapa, construímos alguns conceitos que aguçassem o olhar e a interação deles no campo: interseccionalidade, utopia, movimentos sociais. Além disso, nos aproximamos de autoras importantes como Conceição Evaristo, Lelia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus”, completa.

Durante a visita, que incluiu três sítios e dois espaços urbanos, os estudantes conheceram iniciativas locais que contribuem para a construção de vínculos comunitários. Em duas organizações não governamentais com projetos voltados à inserção na comunidade, os alunos conheceram propostas para estimular a experiência comunitária.

“Ao longo de toda a trilha, nos inspiramos no lema construído pelos moradores de Parelheiros: como fazer de Parelheiros o melhor lugar do mundo para se nascer e viver? Lá tomamos contato com diversas iniciativas no campo da Literatura, Artes, Permacultura e Saúde Pública que caminham para essa utopia”, declarou o professor.

As vivências dos estudantes foram sintetizadas em uma exposição coletiva.  Organizados em grupos de quatro integrantes, eles criaram 24 trabalhos, com textos e ilustrações, que buscaram traduzir, de forma estética, os aprendizados.

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