Formação para além da escola

A professora Kelly Araújo recebeu homenagem do ex-aluno Felipe Teixeira em Stanford

O Leão de Veneza, com seus simbolismos, e o olhar atento de um rapaz em uma visita a um museu. Esse foi o instante em que Felipe Leite Teixeira, ex-aluno do Santa Cruz e estudante homenageado como um dos melhores dos cursos de Engenharia em Stanford, lembrou-se de uma prova da 1ª série do Ensino Médio elaborada pela professora Kelly Araújo. “Esse foi um dos muitos momentos em que percebi o que torna a Kelly uma professora especial: ela ensina História de uma forma que não desaparece”, conta Felipe.

Quando veio a notícia de que receberia um prêmio da Stanford Engineering e de que deveria indicar um(a) professor(a) do ensino básico que tivesse desempenhado um papel central na sua jornada acadêmica, Felipe apontou o nome da Kelly.  

Emocionada, a professora embarcou, no fim de abril, para os Estados Unidos para receber a homenagem.  No evento, em seu discurso, ela destacou: “Ele me escolheu para trazer a esta cerimônia. Isso não é pouca coisa para uma professora de História que é escolhida por ser lembrada na área das exatas”.

Kelly conta que ficou três anos com a turma de Felipe, que se formou em 2021, e aproximou-se de vários alunos, muitos deles seguiram para Economia ou Engenharia. Segundo ela, eles brincavam que era a “historiadora dos engenheiros”.  Até hoje, recebe mensagens de estudantes que se lembram dela em várias ocasiões. “Kelly foi minha professora em quatro disciplinas ao longo de três anos: História no 7º e na 1ª série do Ensino Médio, e Ensino Religioso e Trabalho Voluntário no 9º. Desde o começo, era nítido que ela ensinava de um jeito diferente. A memorização se tornava quase irrelevante porque, quando se entendem as causas e as consequências por trás dos acontecimentos, os eventos passam a fazer sentido por si só. O aluno deixa de decorar e começa a pensar”, afirma Felipe.

No 9º ano, Kelly desenvolveu com a turma uma ação social em parceria com a Missão Paz.  Ela e um grupo de alunos, inclusive o Felipe, iam à casa de passagem para elaborar currículos em português para imigrantes. Quando ele já estava no Ensino Médio, aproveitou sua afinidade com a área de computação para desenvolver uma plataforma que permitiu que essa tarefa pudesse ser realizada online, atingindo muito mais pessoas. A Missão Paz colocou no seu site a interface criada pelo estudante. Foi uma iniciativa muito importante, especialmente no período da pandemia.

Kelly conta que Felipe sempre procurou juntar sua habilidade em linguagem de programação com a preocupação com questões sociais. Na cerimônia, a professora destacou: “Ele tinha 15 anos e já sabia que tecnologia sem propósito não é nada”.

“Hoje, estudo Ciência da Computação em Stanford, e talvez seja por isso que a minha escolha pela Kelly diga tanto. Sempre fui mais voltado às exatas, e mesmo assim foram as aulas dela que ficaram. Quando precisei de apoio para tirar do papel um projeto social que desenvolveria na escola, foi a Kelly quem bateu nas portas certas para me destravar. Que ela tenha se feito presente na cerimônia de premiação na Califórnia é mais uma prova de que nenhuma outra escolha seria justificável. Admito que eu não era o aluno mais fácil de lidar naquela época. Mas a Kelly nunca desistiu de mim. E isso fez toda a diferença”, declara Felipe.

Kelly não foi a primeira professora do Santa Cruz a ser homenageada em Stanford. Em 2023, Ana Luiza Nery, professora de Química, indicada pela ex-aluna Ligia Melo, teve o mesmo reconhecimento. Além disso, as professoras Luciana Soldi (Filosofia) e Elizabeth Zarki (Física) receberam menções de ex-alunos em outras universidades norte-americanas (leia mais no link).

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