Escola e família: um diálogo em permanente construção

Uma escola da infância e para a infância precisa considerar primordial a proximidade com a família, para que possa concretizar sua intenção educativa. Falar de proximidade demanda reflexão sobre a natureza dessa relação, sobre os papéis atribuídos a cada ator, sobre espaços de interação.

Trata-se de uma relação dialógica, que se constitui e se transforma na própria interação. Nessa construção, os olhares partem de lugares diferentes e complementares e desempenham um papel fundamental. Se, por um lado, cada família, como lhe impõe sua posição, enxerga seu filho como prioritário, a escola deve considerar seus alunos como parte de uma comunidade, sem perder de vista as singularidades de cada um. Assim, cabe ao Colégio, como parte de sua ação educativa, ajudar as famílias a ampliarem o olhar para, progressivamente, também pensarem seu filho na relação com seu grupo, a escola, o mundo, trazendo com intensidade cada vez maior a dimensão coletiva.

Se há, nessa interlocução, uma evidente tensão entre coletivo e individual, é justamente aí que se encontra a potência do diálogo para coordenar perspectivas diferentes e avançar em direção à apropriação e à construção de algo que é da natureza do cultural e do social. Nos tempos atuais, de tantos acirramentos, a diversidade ideológica e de composições familiares dentro da comunidade desta escola se configura como uma oportunidade preciosa de construir, coletiva e verticalmente, um projeto educativo pluralista e multifacetado.

Uma relação de confiança entre família e escola só se constrói à medida que o projeto educacional vai se revelando, tanto no discurso quanto na busca permanente da coerência em sua concretização, expressa nas ações cotidianas. A opção pelo Santa Cruz depende, assim, desse conhecimento sobre o projeto que se faz ver em sucessivas oportunidades e de uma adesão sempre renovada aos princípios que nele se traduzem.

Nos últimos anos, temos nos debruçado sobre as instâncias da interlocução família e escola, identificando problemas e criando novos canais com o objetivo de tornar o projeto cada vez mais visível e essa relação mais aprimorada.

Nosso primeiro contato presencial com as famílias se dá no ano anterior à entrada da criança, quando apresentamos alguns princípios do projeto e o que entendemos por período de adaptação. Semanas depois, convidamos as famílias para que conheçam o espaço da Educação Infantil com seus filhos, em um primeiro contato com a atmosfera da escola.

Dias antes do início das aulas, há um novo encontro, quando cada dupla de professores recebe o grupo de pais dos seus alunos, apresenta o planejamento das primeiras semanas de adaptação e propõe acordos de funcionamento que revelam princípios importantes do trabalho e uma maneira de ver a infância. Inicia-se aí um contato da maior importância, que irá se desenvolver e renovar ao longo do ano, alimentado pelas variadas formas de contato e pelas experiências vividas na escola e narradas à família pelas crianças. Essa conversa continua em dois novos encontros, normalmente realizados em abril e outubro, para compartilhar recortes de um trabalho já concretizado.

Durante o mês de maio, acontece o Sábado na escola – em 2018, em sua terceira edição no G5 e primeira no G6. Oferecemos, com essa proposta, uma oportunidade de convivência entre alunos e seus pais e pais entre si, em um espaço carinhosamente preparado pela escola para acolhê-los. Quem recebe os pais são as próprias crianças que, apropriadas das atividades que são parte do seu cotidiano, apresentam-lhes o parque, a horta, atividades plásticas, jogos e suas regras.

Em junho, como parte da tradicional Festa Junina do SAN, a Educação Infantil dedica-se a preparar uma apresentação, em um trabalho integrado ao planejamento e aos objetivos das aulas de Música e Jogos Dramáticos. A cultura brasileira, com seu colorido, ganha destaque nessa festa, vivida pelas crianças como uma grande brincadeira, resguardando seu significado original. Dessa maneira, vemos as danças do G5 e G6 como mais uma oportunidade de dar a conhecer nosso projeto.

No segundo semestre, mais um conjunto de ações é pensado para trazer as famílias para o convívio na escola, nutrindo essa relação. Em agosto, o G6 convida os pais para apreciar trabalhos que traduzem experiências vividas na escola pelas crianças na forma de uma exposição. Em dezembro, é a vez do G5. Em setembro, acontece a Festa dos Esportes da Educação Infantil, que conta com a participação ativa das famílias nas propostas realizadas, como participantes dos circuitos do G5 e de alguns dos jogos do G6, selecionados do acervo de propostas que fazem parte do planejamento de Educação Corporal.

Como encerramento do ciclo da Educação Infantil, os alunos do G6 fazem uma apresentação de canções do repertório do ano na Sala Azul, palco das aulas de Música e Educação Corporal por dois anos. A opção por esse espaço e o formato escolhido, com apresentações por classe, falam do apreço pela singeleza, bem de acordo com as características dos alunos nessa fase da escolaridade.

Acrescentaram-se a essas instâncias presenciais, nos últimos anos, o site da escola e nossa página no Facebook. Por esses canais, temos veiculado pequenas notícias do dia a dia, com a agilidade que a tecnologia digital permite. Em 2018, começa pela Educação Infantil o teste de um aplicativo de comunicação, de início em mão única – da escola para os pais – por meio do qual enviaremos parte das comunicações que costumam seguir pelo caderno de recados do aluno. Tirando proveito da possibilidade que essa mídia oferece, enviaremos novos conteúdos, como recortes dos projetos em pauta, selecionados de acordo com a potência de provocar reflexões e, mais uma vez, aproximar as famílias do projeto da escola.

 

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