“Olhares em Diálogo” com Vera Iaconelli

O encontro abordou a construção da masculinidade e as desigualdades de gênero

Na noite de 7 de abril, a psicóloga e psicanalista Vera Iaconelli participou da primeira edição deste ano do “Olhares em diálogo”, evento que reúne famílias da Educação Infantil para a discussão de aspectos importantes da rotina das crianças. O tema desse encontro foi “Relações de gênero e primeira infância: onde tudo começa”.

A conversa teve como foco a construção das masculinidades, a desigualdade e as violências de gênero e sua relação com a primeira infância.  A convidada comentou como os marcadores sociais, entre eles os de gênero, organizam o nosso pensamento.  Ela salientou que as diferenças entre os corpos são inegáveis, mas o problema é quando essas diferenças resultam em mais valor para os homens, e esse processo se inicia bem cedo.  “Vera nos convoca a pensar como a hierarquização dos gêneros começa com o bebê ainda na barriga. Nós, que atuamos na Educação Infantil, observamos, diariamente, as diferenças sendo hierarquizadas e os estereótipos se apresentando, por isso é um assunto que precisamos aprofundar com toda a comunidade escolar”, declarou Bia Gouveia, diretora da Educação Infantil.

A psicóloga explicou que nós tendemos a generificar o tratamento que damos às crianças, mesmo quando bebês. O ponto central de sua fala foi que a educação tradicional, fruto do patriarcado de alto impacto historicamente presente, não forma homens que saibam cuidar, seja de si mesmo, seja dos outros, tanto no campo físico quanto no psíquico. “Muitos pais e educadores não associam a masculinidade à esfera do cuidado”, afirmou. Na divisão dos gêneros, ao longo dos tempos, o cuidar tornou-se tarefa das mulheres. Ela ilustrou esse pensamento com o exemplo dos brinquedos: atualmente, as meninas têm mais acesso a carrinhos, mas ainda causa espanto quando alguém presenteia um menino com uma boneca ou com panelinhas. No entanto, Vera apontou que não basta que as mudanças atinjam apenas esses pequenos signos.

A psicanalista afirmou, ainda, que os meninos não são criados para nomear suas emoções e lidar com elas. Essa falta de habilidade com o mundo dos afetos provoca duas formas de violência: contra os outros e contra si mesmo.

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